A
SALA DE AULA CÓSMICA
Se
tivermos de suportar uma vida dura, não estaremos
necessariamente pagando por erros de uma existência passada.
Passando por certas provas, podemos estar nos preparando para
futuras tarefas e realizações. O karma, a despeito
de suas demandas e implicações, não deve
ser considerado como uma camisa-de-força do destino que
nos força a agir de uma determinada maneira. A própria
essência do karma implica a presença de um motivo,
o qual, por sua vez, necessita do exercício do livre-arbítrio.
A evolução
kármica envolve o desenvolvimento
da personalidade e o aprimoramento de habilidades e talentos.
O Dr. Whitton observou que seus pacientes, no decurso de muitas
vidas, avançam por uma estrada que leva da infância à adolescência,
culminando na personalidade madura. O progresso é sempre
determinado pela força de vontade. Ele também verificou
que os talentos são aprimorados de encarnação
em encarnação. Uma inclinação singular
nesta vida pode ter sua explicação numa história
de esforços e aplicação numa vida anterior.
A partir dessa observação é lógico
supor que grandes estadistas, músicos, filósofos
e outras pessoas de renome mundial devem ter pouco a pouco aprendido
e aperfeiçoado suas habilidades em vidas passadas, até que
essas habilidades alcançaram a frutificação
numa vida de grande influência. Alternativamente, é pouco
provável que uma pessoa com falta de liderança
e com pouca capacidade de organização tenha sido
um líder de significado histórico numa vida anterior.
O
karma está em operação em todas
as áreas
da realização humana. No seu livro Wisdom
of the Mystic Masters, Joseph J. Weed observou as seguintes
expressões
de causa e efeito nas operações da lei
do karma:
-
Aspirações
e desejos transformam-se em habilidades.
-
Pensamentos
repetidos transformam-se em tendências.
-
Vontade
de executar transforma-se em ação.
-
Experiências
dolorosas transformam-se em consciência.
-
Experiências
repetidas levam à sabedoria.
O
problema com o karma é que ele pode obscurecer o
propósito
mais elevado do espírito
mesmo quando os seus caminhos
traiçoeiros - os
estágios
- proporcionam os meios
para a consecução
desse propósito.
A dissonância
kármica que acompanha
todos os esforços
pessoais toda ação
recíproca
entre as pessoas freqüentemente
sufoca o plano de fundo
em nossas vidas — a
luta íntima
do espírito para
se conhecer mais claramente.
Fazendo
uso ainda de uma outra
metáfora, é como
se estivéssemos
todos dirigindo automóveis
ao longo da grande rodovia
da evolução,
tendo o destino obscurecido
pelas constantes obstruções
dos congestionamentos do
tráfego
kármico. No estágio
entre as vidas, o conhecimento
do propósito mais
elevado está sempre à mão.
A expressão terrena
da busca pelo cumprimento
do destino, entretanto, é despertada
progressivamente na "busca
espiritual" que parece
avançar através
de cinco estágios
distintos que podem se
estender por muitas
vidas. Esses estágios
são:
1. O Materialismo:
A busca do bem-estar
físico,
um estado dominado
pelo desejo sensual. Aqui, muito
pouca consideração
há pelos sentimentos
dos outros e os objetivos
filosóficos
não existem.
Não
há reconhecimento
de uma vida além
da morte ou de um poder
supremo de qualquer
espécie.
2. A
Superstição:
A primeira impressão
que a pessoa tem
de existirem forças
e entidades maiores
do que ela mesma.
Praticamente nada
se conhece sobre
esse poder
onisciente; há somente
hipóteses
de que existe algo
em
algum lugar que não
pode ser controlado,
a não
ser, talvez, com
amuletos e rituais.
Um estilo
de vida materialista
continua a prevalecer.
3.
O Fundamentalismo:
A prática
de um pensamento
simples, supersticioso
e constante em
torno de Deus ou
O Todo-Poderoso.
Tal pensamento
torna-se
a base fundamental
da vida. Existe
a crença
de que as orações,
a realização
de rituais e a
prática
de certas atitudes
e comportamento
garantirão
a recompensa suprema – um
lugar no céu
ou a vida eterna:
Em geral, é necessário
um líder
para interceder
junto ao Deus onipotente,
que deve ser apaziguado.
Pouco importa se
o líder é um
guru que usa um
turbante ou se
chama Jesus
Cristo; alguém é necessário
para controlar,
dirigir e interpretar
as
convicções
básicas.
4.
A Filosofia:
Primeiro despertar
para a conscientização
da responsabilidade
pessoal. As convicções
religiosas são
conservadas,
mas considera-se
que
depender de dogmas
não é suficiente.
Esse estágio é marcado
pelo respeito
para com a vida,
pela
tolerância
para com as crenças
dos outros, e
por uma compreensão
dos ensinamentos
mais profundos
das religiões
ortodoxas.
5.
A Perseguição:
A predominância
de tensão íntima
e de angústia
que se originam
a partir do
intenso desejo
de entender
o significado
oculto da vida.
A consciência
de que existe
um profundo
significado
e propósito
para a existência
está repleta
de incertezas
a respeito
de como tal
conhecimento
pode ser conseguido.
A procura das
respostas
freqüentemente
toma a forma
de extensas
leituras, estudos
e associação
em vários
grupos místicos
e metafísicos.
O nome dado
a esse estágio
foi inspirado
na frase "Bem-aventurados
os perseguidos",
do Sermão
da Montanha
(Mateus 5:10).
Quando
esses
estágios
de neófito
tiverem sido
completados
com sucesso,
o indivíduo
entra com
segurança
na trilha
da evolução.
Esta pode
ser comparada
a
uma grande
montanha
cortada por
trilhas,
algumas mais
percorridas
do que outras.
Essas diversas
trilhas podem
levar à encosta
oriental,
através
da meditação
e contemplação
transcendente,
ou à encosta
ocidental,
através
do misticismo
e da metafísica
intelectual.
Enquanto
o desejo
continuar
a existir,
agir ou
dominar,
as
conseqüências
kármicas
continuarão.
Quanto
mais se
entender
a lei do
impulso,
mais se
poderá prever
com precisão
como as
motivações,
as atitudes
e os comportamentos
das pessoas
estão
criando
as condições
kármicas.
Até mesmo
Buda, que
derivou
grande
parte da
sua filosofia
de escritos
dos sábios
hindus,
ainda sofria,
para
espanto
dos scum
discípulos,
com o imenso
poder do
karma.
Certo dia,
quando
o espinho
de um cacto
entrou-lhe
no pé;
quando
estranhos
haviam
dito coisas
más
a seu respeito,
e quando
regressou
de um povoado
próximo
com sua
vasilha
de pedinte
vazia,
pediram
a Buda
que explicasse
seu próprio
karma trazido
de outras
vidas.
Ele explicou:
...
os vínculos
do
karma,
como
servos
fiéis,
sempre
atendem
a
todas
as
criaturas...
O
karma é como
a
corrente
do
tempo.
Seu
curso
nunca
pode
ser
detido
na
sua
constante
busca
do
homem.
Grande é a
vinha
do
karma;
nova
e,
no
entanto,
sempre
coberta
de
velhos
frutos;
uma
maravilhosa
companhia
para
todas
as
criaturas,
e,
no
entanto,
imóvel;
por
mais
que
você a
possa
puxar,
pegar,
partir,
desenraizar,
torcer,
esfregar,
ou
habilidosamente
dividir
em átomos,
ela
nunca é destruída.
Buda
estava deixando
bem claro
que as
grandes realizações
não
podiam resultar
na fuga
nem na
anulação
dos erros
de vidas
passadas. Uma
lei é uma
lei, e
não
há atalho
para a
sabedoria – o
objetivo das
circunstâncias
kármicas. "...
O karma
do homem
viaja com
ele como
uma sombra",
escreveu Alan
Watts no
seu livro
The Spirit
of Zen.(Publicado
com o
título
de O
Espírito
do Zen
pela Editora
Cultrix), São
Paulo, 1988.
(N. da
Ed.) "Deveras, é a
sua sombra,
pois já foi
dito; O
homem fica
sob a
sua própria
sombra e
não
sabe porque
está escuro'“.Para
que o
karma termine,
as velhas
dívidas
devem ser
pagas e
nenhuma nova
dívida
deve ser
contraída.
E a única
maneira dos
livros das
contas de
muitas vidas
poder ser
acertada é adotar
de todo
coração
os preceitos
do amor
e da
abnegação.
Citando
novamente Joseph
Weed: “Enquanto houver o
menor traço de egoísmo
em qualquer das nossas ações;
enquanto formos bons por
saber
esperar uma recompensa, então,
teremos de voltar aqui para
receber
essa recompensa. Toda causa
tem o seu efeito, toda ação
o seu fruto, e o desejo é o
elo que os une. Quando esse
elo
for rompido e extinto, a ligação
terminará e o espírito
estará livre”.
A
conclusão mais importante
a ser tirada da idéia
do karma de que o acaso
não desempenhou nenhum
papel na disposição
das circunstâncias
nas quais nos encontramos.
Na Terra, somos a personificação
das escolhas que fizemos
no bardo. Quando desencarnados,
nossa decisão
determinou a nossa atual
situação e,
através
da tendência subconsciente,
continua a oferecer-nos
as facilidades e dificuldades
do destino. Convencer-se
da verdade
da lei do karma é endossar
o estado de coisas no qual
nos colocamos, por mais
difícil que isso
possa ser. O indivíduo
busca desafios e provações,
sabendo que eles contêm
as maiores oportunidades
para
o aprendizado e
o crescimento.
Extraído do livro Vida Transição
Vida de J. L. Whitton e J. Fisher - Editora Pensamento - 1986
Permitida
a reprodução em qualquer meio, desde que
citada a fonte e mantidos integralmente todos os créditos

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