ÁLCOOL
E O CÉREBRO DO ADOLESCENTE
A
psiquiatra americana Susan Tapert, da Universidade da Califórnia,
e o especialista e pesquisador Aaron White, estudaram o cérebro
de jovens adolescentes com histórico de consumo de álcool.
Em relação à adolescência, não
há como definir o momento exato em que ela começa
e quando termina. Sabe-se que seu início se dá entre
os 7 e os 11 anos de idade, quando crescem certas regiões
cerebrais ligadas à linguagem. A transformação
maior acontece por volta dos 18 anos e pode avançar até os
25, quando o córtex pré-frontal amadurece, consolidando
o senso de responsabilidade.
Nesta pesquisa, os cientistas descobriram
em todos os jovens estudados, um dano variável, mas PERMANENTE
E IRREVERSÍVEL,
em uma região cerebral: o hipocampo.
As pesquisas apontam
que, o uso exagerado de álcool na
adolescência afeta principalmente habilidades cognitivas
do cérebro, como memória e aprendizado - causa
falhas permanentes de memória, dificuldade de autocontrole
e ausência de motivação. Além disso,
o abuso de álcool na juventude, faz com que o jovem fique
5 vezes mais propenso a se tornar alcoólatra na idade
adulta.
As principais descobertas feitas até agora pela
psiquiatra, revelam que:
-
“O álcool pode causar danos
ao hipocampo, cujo desenvolvimento mais acentuado ocorre
a partir do fim da adolescência.
Testes mostraram que o álcool deixa mais lentos os neurônios
envolvidos na formação de novas memórias,
o que pode ser a explicação para lapsos em jovens
humanos;
-
Adolescentes de 15 a 16 anos que haviam
se embebedado pelo menos 100 vezes na vida, se saíram
pior em testes de memória
do que seus equivalentes sóbrios. Além disso,
apresentavam hipocampo menor do que os que não bebiam;
-
O
nível de atividade cerebral durante testes de memória
e atenção realizados com uso de ressonância
magnética funcional (que mede a alteração
dos níveis de oxigênio no cérebro)
foi menor em adolescentes com histórico de bebedeiras;
-
Dos
adultos que haviam começado a beber antes dos
14 anos, 47% tornaram-se dependentes; entre os que iniciaram
o consumo
a partir dos 21 anos, o percentual de dependência
foi de 9%.”
O fato de o álcool ser uma droga legalizada,
gera dúvidas
por parte dos pais. Em geral, a primeira experiência acontece
em casa e, com a concordância da família. Muitos
pais preocupam-se mais com o possível uso de maconha do
que do álcool. A questão não é a
legalidade ou ilegalidade da substância, e sim o dano que
ela causa. E, o exemplo dos pais é decisivo para definir
a relação que o jovem terá com a bebida
alcoólica (e outras drogas). Apesar de ser um assunto
controverso, uma grande parte de pesquisadores concorda que o
exemplo da família tem uma grande influência.
Uma
pesquisa da psicóloga Lídia Weber, da Universidade
Federal do Paraná, constatou que cerca de 96% dos filhos
com bom relacionamento em família, nunca haviam se drogado.
Já entre os que relataram
problemas em casa, 59% usavam regularmente drogas como álcool, maconha,
crack ou heroína. A pesquisa concluiu que há relação
direta entre atitudes negativas dos pais e o comportamento destrutivo dos jovens,
como envolver-se em brigas, usar drogas e mentir.
A Organização
Mundial de Saúde (OMS) considera o álcool
um problema de saúde pública.
Autora: Dra.
Martha Follain – CRT
21524
Sites: www.floraisecia.com.br e www.santaignorancia.rg.com.br
Texto registrado
na Biblioteca Nacional – Direitos Autorais.
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