GRAVAÇÃO
DE AUDIO NO COMPUTADOR
Uma primeira análise dos sistemas de baixo custo que
possibilitam usar o computador para gravar áudio com qualidade
de CD.
Neste artigo mostraremos,
de uma forma resumida e objetiva, o estágio atual dos recursos para gravação
de áudio em computadores PC-compatíveis com Windows,
abordando os sistemas mais simples (e mais baratos), mas que
nem por isso ofereçam uma qualidade ruim, sendo que sua
limitação maior está relacionada ao número
de canais de áudio. Os sistemas mais sofisticados, chamados
de Digital Audio Workstations (DAW), operam com muitas pistas
de áudio, mas utilizam equipamentos adicionais ao computador
e custam alguns milhares de dólares (poderemos falar sobre
eles em outra oportunidade).
Para
se montar um sistema básico para trabalhar com áudio
digitalizado no computador, a primeira providência é adquirir
uma placa de som, que atua como conversor, transformando os sinais
analógicos de um microfone em sinais digitais (bits e
bytes), de forma que possam ser manipulados pelo computador.
Atualmente, há placas de som de 8 e de 16 bits (o número
de bits está intimamente relacionado com a qualidade do
som, reveja esse conceito no artigo sobre princípios de Áudio
Digital), sendo que as placas de 16 bits, mais modernas, também
podem operar em 8 bits. Evidentemente, essa qualidade tem preço:
uma placa de 8 bits pode ser adquirida hoje, no Brasil, por cerca
de US$ 80, enquanto as de 16 bits variam desde US$ 150 até US$
500. Praticamente todas as placas de áudio operam em estéreo
(dois canais de áudio) e também podem ser ajustadas
para trabalhar com diferentes freqüências de amostragem
(veja também no informus nº2). Sua instalação
no computador é igual à de qualquer placa, requerendo
configurar endereço, interrupção (IRQ) e
a instalação de um arquivo de driver para o Windows.
Adicionalmente, é necessário configurar um canal
de DMA (acesso direto à memória) para que a placa
possa transferir os dados de áudio diretamente para a
memória do computador. Nas placas de 8 bits, costuma-se
configurar o canal 1, mas nas placas de 16 bits é recomendável
usar um dos canais de DMA acima de 5 (que operam em 16 bits).

Figura
1: Processo de gravação digital de áudio
no computador
A placa de som,
como dissemos, efetua a conversão A/D
e D/A do áudio, mas só pode operar se houver algum
software para controlá-la. No ambiente Windows, existe
um padrão para se armazenar áudio digitalizado
em disco, sob a forma de arquivo. Esse padrão é o
formato WAV, e é usado pela maioria dos softwares que
manipulam áudio digital, de forma que, semelhantemente
ao padrão MIDI, uma gravação digital feita
por um determinado software pode ser usada em outro, sem problemas
de compatibilidade. A maioria das placas existentes hoje oferecem
outros recursos, além da possibilidade de gravação/reprodução
de áudio digital. A maioria delas contém um sintetizador
incorporado (sob a forma de um chip), que pode tocar música
MIDI executada por um seqüenciador, embora quase todas usem
sintetizadores FM, que têm qualidade sonora muito aquém
do que os instrumentos mais baratos. Outras também oferecem
interface MIDI, o que possibilita usar a placa de som também
para transmitir e receber comandos MIDI externos ao computador.
Quanto à qualidade da gravação/reprodução
do áudio digital - que nos interessa nessa abordagem - é necessário
fazer uma comparação entre os dados fornecidos
pelos fabricantes, nos parâmetros referentes a resposta
de freqüências (fidelidade da placa na gravação/reprodução
de graves e agudos), distorção harmônica
total, faixa dinâmica e separação de canais.
Tive
a oportunidade de experimentar as placas Multisound (Turtle Beach)
e RAP-10 (Roland), que aos meus ouvidos (e de algumas
outras pessoas) apresentaram qualidade bastante satisfatória.
Não pude efetuar testes de laboratório, de forma
que não tenho números para cada uma. O funcionamento de um sistema simples
de gravação
de áudio digital no computador é descrito a seguir
(veja também a figura 1).
Durante a gravação, o sinal de áudio produzido
por um microfone ou um instrumento musical conectado à placa
de som é digitalizado por esta e transferido, sob a forma
digital (bytes), para o disco rígido do computador. Para
armazenar estes dados no disco, se for usada qualidade comparável à dos
CDs (resolução de 16 bits e taxa de amostragem
de 44.1 kHz), serão gastos cerca de 10 MB para cada minuto
de áudio (estéreo). Para reproduzir o som gravado, é efetuado
o processo inverso, com os dados digitais sendo enviados à placa
de som, que os converte novamente em sinal de áudio, que
será ouvido pelos alto-falantes. O software controla a
placa de som, determinando as características de conversão
do sinal de áudio, bem como gerencia o armazenamento no
disco.

Figura
2: Os trechos de áudio (arquivos WAV) são
disparados pelo seqüenciador por meio de comandos MCI.
Uma vez armazenado sob a forma
de dados digitais, o som pode ser manipulado pelo software,
que pode
ser usado para editar
as características originais. Dentre os recursos de edição
estão o cut-and-paste (cortar-e-colar) e inversão
de trechos, processamento de efeitos (reverb, eco, chorus, flanger,
etc), compressão de tempo (encurtar o trecho sem alterar
a afinação), transposição de tom,
robotização de voz, mixagem de arquivos de áudio,
etc. Há uma variedade de softwares para placas de som,
e devido a características próprias de cada um,
o procedimento operacional para a produção dos
trechos de áudio pode variar.
Nos softwares mais
simples, como o Wave for Windows 2.0 (Turtle Beach), é necessário
rodar simultaneamente tanto o software de áudio quanto
o seqüenciador e, enquanto
este último executa a seqüência MIDI (que serve
de guia) o cantor (ouvindo a guia) grava a voz no editor de áudio.
Para economizar espaço no disco, os trechos em silêncio
não são gravados, ficando a parte vocal registrada
em forma de fatias de gravações. Depois de gravados
todos os trechos, é necessário usar um seqüenciador
que seja capaz de reproduzir os arquivos WAV na placa de som,
por meio de comandos MCI (Multimedia Command Interface) do Windows
(o Cakewalk e o Master Tracks Pro 4 oferecem esse recurso), de
forma que as fatias de áudio são reproduzidas (em
estéreo) graças a comandos MCI incluídos
manualmente na seqüência, que fazem os arquivos WAV
serem executados pela placa de som nos instantes corretos (veja
Figura 2). Nesses softwares, é muito difícil -
quase impossível - fazer-se overdub (superposição
de gravações de áudio), de forma que praticamente
só servem para gravar um canal (voz) além da música
MIDI.

Figura
3 - Os arquivos de áudio são executados
conjuntamente com a seqüência.
Softwares mais sofisticados, como
o Audio Toolworks da Roland e o SAW - Software Audio Workstation,
da
Innovative, já são
capazes de operar simultaneamente com mais pistas de áudio
e funcionam de forma bem mais eficiente, trabalhando conjuntamente
com seqüenciadores MIDI (Figura 3). Neles há recursos
para se posicionar graficamente e com precisão os trechos
de áudio no decorrer da música. O Audio Toolworks
possui um seqüenciador integrado, que serve de guia para
a criação e edição dos trechos de áudio,
enquanto o SAW pode enviar sincronismo SMPTE para um seqüenciador
(externo), que executa a música MIDI como guia. O recém-lançado
QUAD (Turtle Beach) consegue manipular 4 pistas independentes
de áudio, mas só opera com as placas de 16 bits
da própria Turtle Beach (Multisound, Monterrey e Tahiti).
Uma
das vantagens de se usar áudio digitalizado é a
possibilidade de se aproveitar um mesmo arquivo WAV para duas
ou mais passagens, como, por exemplo, de um refrão. Isso
não só economiza espaço no disco, como tempo
de gravação (grava-se apenas uma vez aquele trecho).
Texto: Miguel Ratton
Fonte: www.music-center.com.br (1996)

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